Sintonize na frequência do Amor

O medo não existe. Ele é apenas uma criação da mente humana que, para se manter no controle, faz a pessoa acreditar que ela é aquele mau pensamento. Assim surge o Ego, que passa a dominar a psique com o que é irreal.

Na psicanálise esse movimento é chamado de “mente animalesca”. O medo é um mecanismo de sobrevivência da mente humana, uma herança primitiva, reptiliana.

A mente nada mais é do que uma ferramenta para que Deus, através da nossa Consciência, possa experienciar a maravilhosa vivência em nosso planeta, que está sempre nos levando a um nível acima na evolução espiritual. Tudo, absolutamente tudo, é para o nosso bem maior.

Mas quando não estamos conscientes dos nossos pensamentos e emoções, a mente tende a funcionar de acordo com seus instintos mais primitivos, em seu modo “animalesco”. Esses instintos, tal como em um animal selvagem, agirá de duas formas, conforme as crenças que foram instaladas no subconsciente de cada indivíduo desde o ventre da sua mãe: fugir ou lutar.

Para manter o indivíduo “vivo” (do ponto de vista instintivo e animal), a mente que não está treinada encontra no medo uma forma de se auto-preservar. E assim começa a criar estórias assombrosas sobre um futuro que não se concretizará, com o único intuito de fazer a pessoa permanecer parada, sem agir, mantendo-se na famosa “zona de conforto”, em um lugar aonde apenas a mente acredita ser mais seguro.

Como a Lei da Atração é implacável, após um pensamento negativo outro pensamento negativo é atraído. Numa sucessão de sentimentos negativos, outras formas-pensamento ligadas ao Ego se desenrolam na cabeça, tais como raiva, culpa, mágoa, julgamento, vergonha, vitimismo, auto-crítica, disputa, ciúmes, angústia, falta de amor próprio, egoísmo, perfeccionismo, vingança, injustiça, não-merecimento, não-aceitação, etc. Então a pessoa se identifica com esses pensamentos, acreditando que é eles (se esquecendo que é um ser espiritual). Essa é uma das grandes armadilhas do Ego. É ele quem cria o medo e todas as emoções negativas que sentimos.

Ao sentir tudo isso, o corpo é tomado por sucessivas descargas de adrenalina e estresse, sem descanso. Não há espaço para a homeostase, para que o físico pause e se regenere. O corpo vai se viciando nessas toxinas. Nesse estado, as frequências vibracionais são muito baixas. Dessa forma ocorre o desequilíbrio, o bloqueio dos centros de recepção e emissão de energia (chackras) e o adoecimento do corpo – físico, mental, emocional e espiritual. Assim nasce a depressão e outros tantos problemas de saúde. Sem perceber, o ser humano se desconecta da sua verdadeira essência, do Eu Sou. A isso sobrevém a idéia de separação, de dualidade. Esquece-se de que todos somos um, de que só existe o Bem, o Uno, o Todo.

Mas a culpa disso não é de ninguém. Apenas não fomos educados e orientados desde a infância a ter esse tipo de percepção, principalmente no ocidente. O mesmo aconteceu com as nossas gerações passadas. A saída disso é buscar o auto-conhecimento, a expansão da nossa Consciência, para que estejamos cada vez mais atentos ao que a nossa mente está produzindo. Não devemos nos identificar com nenhum desses pensamentos ruins, apenas observá-los e transmutá-los. “Pegar no flagra” é a melhor maneira de treinar a nossa mente, assim como fazemos no treinamento de cães, para que ela funcione sempre a nosso favor.
O equilíbrio se dá justamente quando estamos despertos para a chave que nos foi dada desde a nossa Criação: o controle da nossa mente, o poder de domar a serpente.

Temos que entender que os pensamentos negativos que aparecem em nossa mente não são nossos. É preciso buscar a causa de cada um deles (que pode ser até de outra pessoa que você convive ou conviveu em algum momento da sua vida), e em seguida substituí-lo por outro de maior frequência, usando assim a Lei da Atração a nosso favor. Não existe sequer um pensamento negativo que não possa ser substituído por outro positivo. Tudo se transforma, tudo se transmuta, tudo se eleva. Todos nós somos Deus, e Ele jamais teria pensamentos e sentimentos ruins a nosso respeito. Jesus nos ensinou: “Orai e vigiai”. E é exatamente isso – vigiar os nossos pensamentos – o que devemos fazer.

Cada pensamento, seja bom ou ruim, é uma forma de energia. O Universo é mental e assim como qualquer outra coisa na vida, tudo o que focamos, expande. Então, dirija a sua energia para o que for para o seu bem. Não a desperdice com o que não te faz sentir alegria, entusiasmo, amor.

Não se preocupe com o futuro, pois ele ainda não existe. Assim como o passado já não existe mais. O único tempo que verdadeiramente existe é o agora, neste exato momento em que você está lendo este texto. Nem cinco minutos atrás, nem daqui meia hora. É apenas o agora. E é justamente neste lugar que a mente destreinada não quer estar, pois é onde ela não controla. Nós temos poder no agora, a mente não. Uma mente primitiva age no impulso, pois está sempre tentando proteger a pessoa de um possível “perigo”, remoendo as memórias negativas do que viveu anteriormente (ou que alguém lhe contou sobre – aqueles medos que outras pessoas tentam nos impor). O homem das cavernas vivia para lutar (pelo seu alimento, para proteger o seu território de algum animal selvagem ou de invasores que tentavam tomar o seu abrigo). Em alguns casos, era necessário fugir – essa era a hora de correr para se proteger. Os indivíduos possuíam esses dois instintos mais ou menos aflorados – de acordo com as crenças e experiências que haviam vivido durante as suas vidas.

Quando a mente começa a criar estórias negativas em relação a alguma situação, é como se ela dissesse: “Olha, da outra vez deu errado, lembra? Você vai querer se dar mal de novo? Acho melhor ficar quietinho aí, hein?”. E assim, após esse pensamento negativo, vem o sentimento: medo. E esse medo paralisa, estagna, faz justamente o que a mente animalesca quer fazer, e não o que a Alma quer. A mente primitiva quer se manter no que ela já conhece, no que ela está acostumada a fazer. Sair do padrão, do lugar comum, é um ato muito “arriscado” para a mente. O Ego quer nos fazer acreditar que é possível controlar a vida. Mas isso é impossível. Então, para trazer mais do mesmo, a mente cria a ansiedade (que nada mais é do que a crença de que o que deu errado no passado vai acontecer de novo) e em um grau mais elevado, surgem as crises de pânico. E assim o ser humano sai do agora.

De novo, quando expandimos a Consciência, passamos a entender que tanto o corpo quanto a mente são ferramentas para que nós, como seres espirituais, possamos experienciar a vida aqui na Terra. Com isso, passamos a nos observar e a transcender cada vez mais o Ego, pois começamos a ver com clareza quando o pensamento vem da nossa Alma (de Deus) ou da mente primitiva. Assim conseguimos controlar nossos pensamentos, emoções e atitudes.

Uma pessoa consciente trabalha para se fixar ao máximo no agora (e no início a mente vai brigar contra isso, pois ela não quer gastar energia). Para uma mente que passou tantos anos com as “rédeas soltas”, viver no agora é viver o desconhecido. Quando uma mente que está no processo de treinamento se depara com essa nova situação, ela começa a criar meios para que o indivíduo não haja no presente. Para se manter segura a mente passa a boicotar o seu “dono”.

Mas treinar essa mente primitiva para se manter no agora é o que nos torna poderosos. É quando as inspirações surgem e conseguimos fazer dela uma excelente aliada. Devemos viver em congruência com a nossa Alma, com nosso Eu Superior. Viver no momento presente é o maior instrumento do mover de Deus. Quando se treina a mente para focar no agora, não estamos presos ao passado, remoendo as dores, tampouco nos preocupando com situações futuras que não acontecerão. É preciso aceitar que somos Deus. É preciso aceitar essa condição, esse poder. E Deus não tem preocupações. Deus é inspiração! Deus é a vida em ação, no aqui e agora!

Esteja no AGORA. Como qualquer novo aprendizado, viver no agora requer prática. Então, pratique. Deixe os pensamentos de lado durante alguns minutos. Olhe o desdobrar da vida com alegria, com gratidão. Espere sempre o melhor, escolha experimentar uma atitude positiva diante da vida, enxergando a beleza de Deus em tudo e em todos.

O primeiro passo é silenciar a mente. É preciso baixar as ondas cerebrais, fazendo exercícios de respiração. É imprescindível meditar. Ouça e busque entender as crenças que estão arraigadas em seu subconsciente (que muitas vezes nem são suas, podendo ser até de vidas passadas). Limpe e transmute as suas memórias negativas, reprograme a sua mente com palavras positivas, seja grato pela vida que você tem, visualize seus desejos com a certeza de que eles já se realizaram (com o cuidado para discernir se eles não estão sendo criados pelo Ego). Viva como se você já fosse a pessoa que você gostaria de ser – a sua melhor versão – e eleve a sua vibração. Tudo o que nos é colocado é para a nossa evolução, por isso, se tem alguma situação que está se repetindo na sua vida é porque há algo para curar. Agradeça pela oportunidade de olhar para aquela sombra e pergunte ao seu Eu Superior, para Deus, o que precisa ser transmutado. Se abra para o novo, para uma nova percepção. Perdoe sempre – a si mesmo e aos outros – convicto de que todos nós estamos em uma linda jornada de expansão, cada um em um diferente nível de Consciência, numa transformação diária. Cada pensamento é um tipo de energia. E nós temos o poder de escolher qual energia queremos usar. Por isso, sintonize na frequência do amor!

Quando sentir um desconforto por estar vivendo no agora, respire fundo, tome consciência da emoção que está sentindo, tente identificar qual a crença ou memória negativa que esteja te levando àquela situação, compreendendo que trata-se apenas de uma mente assustada. Ressignifique, purifique e deixe ir. Em seguida, retorne ao seu estado de atenção plena. Seja gentil com você mesmo, não “brigue” com a sua mente quando esses pensamentos ruins aparecerem. Tenha compaixão por você. Se ame profundamente, tenha orgulho de quem você é. O nosso subconsciente é a nossa criança interior e só está tentando falar sobre os medos que um dia ela sentiu e não foram curados. Entender quem você realmente é – uma Consciência neutra, de pura luz – ajuda a não se identificar com as coisas negativas que passam pela mente.

Um exercício que tem me ajudado bastante é sempre me perguntar:

– Este pensamento é fundamentado no medo ou no amor? Esta emoção está apoiada no medo ou no amor?

O amor traz liberdade. O medo aprisiona. O amor expande. O medo contrai.

Assim vamos nos livrando das crenças limitantes e autossabotadoras, que muitas vezes não sabemos como nem quando elas se instalaram em nós. Então, aquela nuvem pesada que pairava no ar vai se dissipando e nos tornamos mais confiantes, usando cada vez mais o poder da mente para o nosso próprio bem. Aos poucos, novas sinapses são feitas e a mente se torna um verdadeiro e milagroso centro de ações divinas! Seu subconsciente será inundado com novos paradigmas e você terá a absoluta certeza de que o agora é o melhor momento para se estar e que a vida é boa o tempo todo!

Essa é a verdadeira evolução, de dentro para fora. Norteados pelo amor incondicional, as feridas vão se curando e as dores, tanto físicas quanto emocionais, deixam de existir. Nasce um novo Eu. Melhor e maior. De puro amor, luz e gratidão! ♥️✨🙏🏽

De todo o meu coração,
Natália.

A prova de que Papai Noel existe

Meu querido Bom Velhinho,

Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas certamente você já me viu por aí cantarolando músicas natalinas todo fim de ano. Sempre que vai chegando esta época, o astral das pessoas enfeitando suas casas me envolve e eu acabo me deixando levar.

Você – você não, o Senhor – deve estar estranhando o fato de ser a primeira vez que lhe escrevo uma carta. Durante toda minha infância não tive coragem de escrever, tinha medo de passar vergonha. Só agora, com quase quinze anos, é que fui criar coragem. E isso é muito estranho mesmo, concordo com o Senhor.

Mamãe nunca deixou que eu acreditasse no Senhor. Quando eu era menino pequeno, lembro de uma vez pedir para ela escrever a minha carta e pendurar na árvore, mas ouvi a resposta com uma pergunta:

– Nem árvore nós temos, você vai querer escrever uma carta para um velho que não existe?

Eu não cresci traumatizado com isso, devo confessar. Mas posso dizer que perdi muitas oportunidades de viver meu lado lúdico e criativo, de me envolver na mais rica imaginação de criança. Mesmo acreditando que o Senhor não existia (porque mamãe mãe havia me “revelado”), nunca contei isso aos meus amiguinhos daquela escola municipal que eu tanto amava. Pelo contrário, achava graça ao vê-los escrevendo e colorindo as cartinhas, recheadas de carinho, para o bom velhinho que lhes traria presentes na noite de Natal. Mesmo sem ganharem nada daquilo que pediam, eles nunca ficavam com raiva do Senhor. Diziam, justificando o seu lapso:

– Ele não deve ter tido tempo…

E no outro ano lá estavam eles de novo lhe escrevendo, certos de que desta vez, o Senhor viria.

Na escola aprendi que o dia 25 de Dezembro foi criado para comemorar o nascimento de Jesus, o Cristo, que trouxe à humanidade esperança de paz e vida eterna. Nisto eu cresci confuso, pois o que eu sentia e lia nos livros era bem diferente do que eu ouvia dentro de casa. Minha mãe sempre repetindo que Deus não existia, que Jesus era uma invenção dos Homens e que aquela balela de Natal era só uma estratégia do mercado, para vender mais.

Eu vivia um paradoxo interno. Ao mesmo tempo que encarava a realidade na minha frente, nua e crua, não tendo motivos para acreditar no sobrenatural, sentia que uma fé mágica crescia cada vez mais dentro de mim, sem saber explicar ao certo como ela surgiu.

Mesmo minha mãe tendo me criado sozinha, pois meu pai nos abandonou quando eu tinha apenas três anos, eu nunca a vi reclamando dele. Nossa vida não é fácil, o Senhor sabe. Aqui na comunidade é um salve-se quem puder o tempo todo. Mas mesmo aos trancos e barrancos, minha mãe nunca me deixou faltar nada do necessário. Muito menos amor. Aliás, enfrentar as dores deste mundo marginalizado é o que ela mais sabe fazer.

Mamãe diz que não tem crença nenhuma. Eu discordo. Ela não sabe, mas tem muita crença no ser humano. Próximo ao Natal, ela se junta com as amigas para fazer campanha de doação de roupas e brinquedos pelos bairros da região. Aos domingos, acorda cedo (mesmo levantando antes do sol nascer todo santo dia) para fazer almoço para as crianças carentes – de comida, amor e atenção. Se isso não é fé, eu não sei o que é.

Natal é partilha. E o que se partilha, se multiplica. Então eu aprendi tudo o que precisava saber sobre o espírito natalino. Aprendi sobre compartilhar o que se tem, por pouco que seja. Aprendi a ter compaixão, a doer a dor do outro e fazer algo – qualquer coisa – para amenizá-la. Aprendi que quando fazemos o bem, um bem danado fazemos a nós mesmos.

Cresci sem a referência de uma figura paterna. Minha vida sempre foi em torno de mulheres guerreiras, que carregam o mundo nas costas. Mas toda vez que pensava em um pai, pensava em Papai Noel. Não sei explicar muito bem, mas eu acho que tem a ver com as histórias que li sobre São Nicolau, sempre associando com a minha mãe e as crianças que ela cuida. Esse espírito de Natal vive muito forte dentro de mim.

Mamãe que não me ouça, mas eu acredito no Senhor. Não consigo não acreditar. E o meu pedido é que neste e em todos os próximos Natais, o Senhor esteja aqui. Comigo, com a mamãe e com todas as crianças, que o Seu espírito esteja sempre aqui, acendendo essas luzes nas casas e em todos os corações. 🙏🏽🕊️🎅🏻🎄🌟

De Isabel a Gabriela

De Isabel a Gabriela
De 21 em 21
Do 21 de cem anos atrás para o 21 de hoje

Isabel primeira, imperatriz, libertadora
Que tinha em seu nome Gabriela
Isabel depois, que libertou o meu ventre
Do qual trouxe ao mundo Gabriela
Por quem vive o meu amor tão perene

Que encanto de coincidências a vida tem
No anonimato de Deus
Dos acasos que eu não creio
Na sincronicidade do Universo

Para fazer estes versos apenas uma mistura
Da história do Brasil com a minha tão singela
Que escrito estava para ser vivida com bravura
Num poema que eu não consigo terminar

Foste viva minha Isabel teria hoje dez anos
E há cem, a morte da princesa
Mas foi Gabriela, num outro 21, que me mostrou o poder que tem acreditar.

🙏🏽👩‍👧‍👧🌈👼🏻🌻❤️

Parar para cuidar de nós

De tempos em tempos a vida me obriga a parar. Meu próprio corpo vai dando sinais de que é preciso desacelerar e se eu os ignoro, ele não pensa duas vezes: me joga na lona.

Nunca fui a favor de me matar para concluir qualquer tarefa que seja. Me matar, só se for para salvar a vida de quem eu amo – o que não será necessário. Gosto de terminar tudo aquilo que me proponho a fazer, com capricho, dando o meu melhor (na condição que eu tenho, enquanto busco condições para fazer melhor ainda). Coloco o meu coração no que eu faço. E isso é bem diferente de entrar num círculo vicioso de estresse, dores e frustrações pelas coisas inacabadas.

Mas sem querer, sem que percebamos, enfiamos a cabeça num buraco de cobranças externas que nem sabemos porque nos deixamos levar.

A sobrecarga – física e emocional – vira lugar comum. Normalizamos as queixas. Há até uma disputa ilógica entre quem coleciona mais dores e ainda continua “firme e forte”, sem fraquejar. Pausar é para os fracos. Temos que dar conta de tudo. “Estou estressado, triste e sem ânimo, mas trabalhei vinte e três horas seguidas, tomei cinco analgésicos, um antiácido, uma dose de ansiolítico e já estou ótimo”, se envaidece o ser humano pós-moderno.

Não, não é legal fazer um monte de coisas que a gente não precisa – e não consegue – para chegar no fim do dia achando que a gente não fez nada.

Não, não é saudável abrir mão da sanidade mental só para dizer ao mundo que a gente faz mil coisas ao mesmo tempo.

Não, não é altruísmo deixar de fazer o que gosta para fazer apenas o que os outros querem que você faça.

O nome disso é loucura.

Já está ultrapassado esse negócio de “workaholic”. É démodé. Sabe qual é uma das traduções para a palavra? Burro de carga. Na minha infância, “burro de carga” era a pessoa que se matava de trabalhar e não desfrutava das coisas boas da vida – puro esforço em vão. Workaholic é xingamento, ninguém deveria aceitar esse adjetivo, muito menos se autodenominar assim.

A gente não tem que abrir abrir mão da nossa sesta. A gente não tem que abrir mão do nosso momento de lazer. A gente não tem que abrir mão das nossas oito horas de sono.

Dá para responder o e-mail mais tarde. Dá para lavar a louça outra hora. Dá para fugir de tudo uma vez por semana (principalmente das redes sociais).

Temos que demitir este nosso carrasco interno que nos faz acreditar que temos a obrigação de fazer coisas o tempo todo, para pessoas que nem estão precisando do que elas acham que precisam.

Ninguém vai morrer se hoje o almoço for ovo mexido. Ninguém vai morrer se a reunião ficar para amanhã de manhã. Ninguém vai morrer se a casa não estiver um brinco.

Imponha, desde sempre, seus limites. Seja no trabalho, com os filhos, com seu cônjuge. “No momento não posso atender, deixe seu recado”.

A dor, seja ela física ou emocional, é um alerta que o corpo emite de que é preciso parar. Parar de trabalhar, parar de pensar, parar de se cobrar. Apenas ser. Apenas sentir.

Ainda que você ocupe um altíssimo cargo em uma multinacional, você precisa parar algumas vezes por dia. Não uma, não duas, mas várias. Você não tem que estar online o dia todo. Desligue o celular. Medite. Saia para caminhar.

Se é mulher multitarefa, você precisa parar várias vezes por dia. Tranque-se no quarto, ligue uma música e alongue o corpo. Deite-se. Leia duas páginas de um livro. Dez minutos. Não pense em nada durante esses dez minutos. É só você e você. Apenas dez minutos.

Podemos ser heróis, mas até os heróis têm seus momentos de paz, em que se recolhem e se preparam, física e mentalmente, para continuar a batalha.

Estamos travando guerras contra nós mesmos. Inventamos pesos extras que não existem. Acrescentamos grades curriculares às horas que deveriam ser gastas com o nosso sagrado descanso. Aceitamos prioridades dos outros, elogiamos os que vivem ligados no 220v, tentamos nos tornar semideuses. E com isso vem a falência – do corpo, da mente e do espírito.

A gente precisa parar. E sabe por quê? Porque se não pararmos por bem, pararemos na marra. Nosso corpo não é uma máquina. Nossa mente precisa resetar. E quando a gente mascara as dores, enriquecendo a bilionária indústria farmacêutica, empobrecemos os nossos corpos e nos tornamos esse monte de gente doente que está abarrotando os consultórios e elevando a taxa de suicídio no mundo inteiro.

Se dói, no corpo ou na alma, é sinal de que alguma coisa está fora do eixo. E antes que você entre em colapso, PARE. A sociedade nos empurra goela abaixo que temos que ser os melhores, os mais eficientes e os mais vorazes, custe o que custar. O empresário bem sucedido que não vê os filhos, a dona-de-casa exemplar que está um bagaço, o funcionário que veste a camisa, é mal remunerado e não tem hora para sair.

Desaprendemos a respirar. Estamos sempre com a sensação de que nos falta o ar. Nem tudo o que é urgente, é importante. “A urgência é a invenção da ansiedade”, já disse o poeta.

Nos orgulhamos em sermos os burros de carga, com aquele sorriso amarelo de quem no fundo se acha um fracasso. Mas está “dando conta” e é isso o que importa, dizem por aí.

O mundo é feito de seres humanos – para seres humanos. As coisas, as rotinas, os compromissos é que têm que se adaptar a nós e não o contrário. Estamos neste mundo para viver a vida e não para que ela seja um fardo. Precisar pagar as contas é desculpa para a autodestruição. A vida é um sopro – e nos esquecemos disso.

Alheias à insanidade deste mundo ultraprocessado, de exaltação da competitividade, onde os prazos são para ontem, vivem pessoas em meio à natureza, colhendo o que plantam, criando seus filhos saudáveis. Estão sempre bem dispostas, dormindo bem, comendo bem. Preferem a vida simples, serena, com seus males diários vividos e resolvidos um de cada vez. São pessoas que não querem perder quatro horas de seu dia em um trânsito caótico cheirando a gás carbônico. “Deus me livre de cidade grande”, ouvi, outro dia, de um jovem rapaz.

Não é preciso abrir mão das conquistas materiais e viver como um monge; a não ser que se queira (deve ser a escolha de cada um). Mas há muito o que aprender com essa opção de vida simples em pertences, mas tão rica e profunda em ensinamentos. É usar tudo o que está ao nosso dispor para o bem. Para o nosso bem. Com sabedoria e leveza, usar a abundância do Universo a nosso favor. “É simples ser feliz. O difícil é ser tão simples.”

Não precisamos realizar feitos extraordinários para sermos especiais. A vida é para ser desfrutada com saúde – física, mental, emocional e espiritual. Se para provar que eu valho alguma coisa é preciso abrir mão de mim, então não estou vivendo. Estou apenas suportando.

O mundo está no automático. Não se exerce mais a própria Consciência. “Parar para pensar, nem pensar: seria doloroso demais”, já disse Lya Luft.

Minha mãe não cuidava da própria saúde porque dizia não ter tempo. Fazia tudo para todo mundo, menos para ela. Tudo seu beirava a perfeição: o trabalho, a casa, a comida, a roupa, os estudos dos filhos. Foi o seu jeito de demonstrar amor, como aprendeu com os que lhe precederam. Não a culpo nem a julgo e sou imensamente grata a ela por tudo o que foi (e ainda é), para nós. Mas minha mãe se esqueceu de quem mais importava: ela mesma. Era a mulher-maravilha, mas estava esgotada. E seu corpo não aguentou. Parou aos 43 anos. Minha mãe não curtiu as próprias economias, não viu os filhos crescerem, não conheceu a neta. Se eu pudesse voltar atrás, eu pediria para ela parar. Nós não precisávamos de uma mãe workaholic. Nós precisávamos de uma MÃE, apenas. E isso era TUDO!

Uma hora a conta chega. E ela é cara, pessoal e intransferível. Nesta hora pode ser que você apague de vez. Seus pais vão querer ir no seu lugar, mas não poderão. Os que cobram a sua alta produtividade mal sentirão a sua falta – logo haverá outro em seu lugar. E os que te amam prantearão a sua ausência, não pelo que você faz, mas por quem você é.

Bom que ainda há tempo para cuidar de nós…

As bruxas do século XXI

Bruxas. É como chamam por aí…

As insubordinadas, divergentes, antenadas.

Sábias, ditas loucas, profundas, espiritualizadas.

As perigosas.

Mulheres que lutam.

Contra preconceitos, ignorância, machismo, opressão, violência, exploração.

Mulheres que amam sem medo de parecerem impuras. Se envolvem, se entregam, se rendem verdadeiramente.

Femininas.

Mulheres que cuidam.

Dos próprios filhos, dos filhos de todos, das chagas de muitos, das milenares e desprezadas tradições, da fé, da natureza, dos conhecimentos intuitivos.

Marcas que jamais deveriam ser apagadas.

Mulheres que guardam em si o poder de gestar, de nutrir, de guiar a vida!

Mulheres que preservam as últimas chances do mundo sobreviver ao caos. Os saberes simples das ervas, da compaixão, do respeito a toda Criação Divina.

Sim! As guardiãs de tudo que é digno e eterno. Tão bem resolvidas… Que despertam amor e ódio.

Mulheres que servem e vivem a amparar umas às outras, totalmente descrentes da subcultura da competição.

Mulheres que estudam, leem, observam, questionam, argumentam, se impõem.

Mulheres que sofrem por não se ajoelhar ante à repressão dos sistemas.

Mulheres que não têm medo de viver suas verdades.

Mulheres fantásticas, surreais, feiticeiras, endiabradas.

Filhas do mal?

Não! Mulheres como você e eu.

Mulheres fortes, com voz ativa, cultas. As chamadas “bruxas” eram mulheres feministas e que, terrivelmente, pagaram um preço alto por sua independência.

Foram perseguidas e queimadas e até hoje são amordaçadas.

Mulheres, irmãs, bruxas! 🧙🏽‍♀️🔮💃

Carta aos amigos viajantes

Três anos atrás, uma família que eu amo muito, decidiu viver uma experiência incrível no velho mundo. 🌍

Com o coração cheio de vontade de viver um grande sonho, eles partiram, com a cara e a coragem, atravessando o Atlântico rumo a um dos maiores desafios de suas vidas.

Seriam dois anos longe de todos daqui, iniciando uma nova vida, respirando novos ares, inspirando-se em novas culturas, para então largar tudo de novo e voltar com as malas cheias de histórias para contar.

Um pouco antes de irem, peguei meu caderninho e escrevi o que batia em meu coração. Assim saiu uma carta para eles, curtinha, mas salpicada com muito amor: ✍🏽💌

*
Que para a saudade, o tempo voe…
Que para os sonhos que se realizam, o tempo vá devagar…

Que vocês esvaziem as bagagens de toda e qualquer insegurança e encham suas memórias com histórias boas para contar.

Que sejam os mesmos amores de sempre, mas que se tornem os seres humanos mais maravilhosos que sonharam em se tornar.

Porque uma experiência como esta, a gente tem que abraçar não apenas como uma oportunidade de sermos melhores no que fazemos, mas principalmente, melhores no que somos.

Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. ✨🧘🏽‍♀️
*

Faz um ano que voltaram para a nossa terrinha. Tenho certeza que transformados. Muito mais fortes, mais unidos e realizados. 🙏🏽

Qual é a sua obra?

Qual é a sua obra?

O que você está construindo ao lado dos seus?

O que você está plantando no caminho dos seus filhos, dos seus pais, dos seus amigos?

De que forma você está existindo na vida daqueles que ama?

Quais valores você está deixando para que a sua existência não seja em vão?

A vida é um sopro.

Pois atente-se, enquanto ainda lhe são dados os anos.

Seja gentil. Seja presente. Seja paz.

Não soçobre. Faça da tua vida uma linda obra.✨❤️

Sonhos são para se viver…

“Em meu leito de morte, meu sonho me perguntou:

– Por que você não me viveu? Eu falei com você todos os dias!”

Sou um ser vivente e pulsante que ensaia no hoje o melhor dia da minha vida. Meu viver intenso, por vezes impulsivo, declara essa vontade de não deixar para trás nenhum dos meus sonhos – eles me saltam diariamente nos olhos. Não sou alguém de um sonho só. Sou multisonhadora e isso me angustia ao mesmo tempo que me dá inúmeras possibilidades de sentir felicidade. Assim eu crio várias formas de me realizar.

Passei muito tempo no submundo das emoções, no eterno caos da desesperança, mas despertei a tempo para a vida que eu sempre quis, que eu sempre busquei.

Fui testada de várias formas, experimentei o pior do ser humano. Contudo não somos apenas o que o mundo faz conosco. Como árvore de raízes profundas, nos deixamos podar para voltarmos maiores e mais fortes.

E frutificamos.

Colhemos os frutos da nossa perseverança, da fé genuína e da nossa extraordinária capacidade de sonhar, ainda que o mar esteja revolto. Quando as tempestades passam, olhamos para trás e reconhecemos o tanto que fizemos. Não dá para parar. A nossa inquietude fala mais alto.

Completei quarenta anos comemorando o imenso salto que dei na última década. No meu trigésimo aniversário, estava confinada num quarto de hospital, presa a um acesso venoso e grávida da minha primeira filha, lutando pela vida de nós duas. Por quase um mês ali fiquei. Dei à luz uma menina guerreira e visitei o inferno quando a perdi, seis dias depois. E lá se foram as esperanças junto com ela…

Durante muito tempo a minha própria luz se apagara. Mas é essa nossa crença no sobrenatural que nos dá poder para realizar o que passamos a vida toda visualizando em nossas mentes.

Nos momentos mais nefastos da minha dor, naqueles em que eu não queria mais viver, retornavam em minha memória as imagens que eu havia idealizado durante toda a minha juventude. Em meio ao choro escondido, quando a casa já estava dormindo, aquelas cenas iam e vinham como fashes. Eu me perguntava por que elas insistiam tanto. O sofrimento havia criado uma maldita voz que teimava em me convencer que era o fim e que não sobrara mais nada. Mas lá no fundo, os sonhos maltratados erguiam as mãos trêmulas, pedindo para serem puxados para a superfície. Estavam se afogando, mas ainda com vida.

Fomos criados para não desistir. Somos seres com poderes descomunais. Mas fazer é arriscar. Há muitos por cento de chance de dar errado. E poucos nascem com a incansável crença em si mesmos. Quando o sonho é genuíno, não há nada que o apague. Às vezes ele apenas descansa pelo tempo necessário para crescer, como massa de pão.

Eu nasci para realizar aquele sonho. Era muito forte a vontade de ter, finalmente, a minha menina no colo. E eu tinha ao meu lado um homem digno para honrar esse sonho comigo. Buscar é fazer o universo conspirar a nosso favor.

Aceitei o desafio. Mostrei aos meus medos que eles não sabiam nada sobre a minha coragem. Topei correr o risco de sofrer tudo de novo – eu já estava calejada demais para titubear e perder a grande chance de tornar aquele sonho real.

Caminhei pelo vale da escuridão e voltei. Ao invés de dar as costas para as minhas sombras, decidi encará-las de frente, assim elas não me pegariam desprevenida. Dei a cartada final e decidi voltar ao jogo. Era isso ou a morte, lenta e torturante.

Exatamente dez anos depois estou aqui, com a minha tão sonhada filha nos braços. Às duras penas, na maioria das vezes me arrastando como um soldado na trincheira. Algumas sequelas são permanentes, meu coração sempre andará de muletas, mas encontrei dentro de mim um motivo muito maior que eu para continuar.

De uma jovem aprendiz da vida, com suas vontades e impaciência, Deus me fez uma mulher que aprendeu a esperar. Me forjou nas adversidades e me incumbiu a mais preciosa missão deste mundo: ser mãe.

Sempre ouvi dizer que Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos. E foi bem isso que aconteceu comigo.

Ainda que com os meus calcanhares de Aquiles, hoje eu estou mentalmente mais forte. Ainda que eu tenha meus buracos na alma, ainda que existam as minhas horas de pranto, sinto como se fosse invencível. Minhas duas filhas me mostraram que por elas eu suporto tudo.

Nas minhas cicatrizes pode haver beleza e aprendizado. Elas me fazem ser quem sou. Porque dói muito mais desistir dos sonhos do que continuar tentando. Afinal, eles foram feitos para viver. E hoje eu tenho o sonho que estava no topo da minha lista realizado: uma menina com o coração gentil e altruísta, que cuida mais de mim do que ela pode imaginar.

Natália Paes

30 de Setembro de 2021

Crônica de uma pandemia

Surtei
Des-surtei
Perdi trabalhos
Perdi dinheiro
Fui contra os lockdowns da vida
Desmarquei festas.

Fiz cursos
Viajei a trabalho
Vi pessoas morrerem
Vi pessoas perdendo o emprego
Vi pessoas sendo despejadas
Chorei.

Tive medo
Deprimi por não poder sair
Tive que sair.

Tomei banho de mar
Entrei na cachoeira
Tomei todas
Orei.

Comemorei meu aniversário
Comemorei o aniversário da minha filha
Não pude ver meus pais e avós
Chorei de novo.

Programei Natal em família
Tive Covid
Meu marido teve Covid
Minha filha teve nada.
Meus pais e avós tomaram a vacina
Suspirei aliviada.

Não pulei as sete ondas
Pulei carnaval em casa
Enclausurei
Desenclausurei.

Temi ao ver meus amigos com Covid
Renasci quando meus amigos melhoraram
Encontrei meus amigos.
Tomei a vacina
Meu marido tomou a vacina
Meus amigos tomaram a vacina.

Meu marido fez quarenta anos
Eu fiz quarenta anos
Comemorei com os meus amigos.
Sobrevivi.

E agora viveremos muito mais…

Natália Paes

Eu, caçadora de mim…

“Caçador de mim”, composição de Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, foi eternizada na voz de Milton Nascimento ao ser lançada em 1981, ano em que nasci.

Essa poesia em forma de canção, tão atemporal, sempre me levou para aquele lugar de encontro comigo mesma, primitiva, caçadora de mim.

Tudo o que eu já vivi, de doce ou amargo, me fez o que eu sou hoje. E é buscando a minha essência, ouvindo cada vez mais a minha intuição – esse canal direto com o divino – que não me deixo escapar, mesmo às vezes mansa, noutras, feroz.

Porque somos isso: essa roda-gigante de sentimentos. E ter a liberdade para viver cada um deles é o nosso maior desafio.

Coragem não é a ausência de medo. Coragem é tentar de novo, APESAR dele. É se embrenhar na escuridão do mundo afora e estar afinado com a nossa verdade, a ponto de sabermos exatamente a hora de parar, de esperar e de ir à luta, seguindo os instintos de um bom caçador.

Descobrindo o que me faz sentir. Perseguindo a mim mesma.
Me conhecendo para me fortalecer.

Quanto mais eu ouço essa canção, mais ela faz sentido para mim. ❤️

Natália Paes

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