Todo adeus de filho é prematuro…

Toda mãe de bebê com prematuridade extrema tem uma foto desta. É o nosso primeiro registro, pois aquela tradicional foto, do bebê deitado sobre o colo da mãe ainda na sala de parto, não existe para quem acabou de dar à luz uma criança que nasce praticamente dentro da incubadora.

É segurando essas mãozinhas, tão delicadas e ao mesmo tempo tão fortes, que passamos cada dia da vida dos nossos filhos em uma UTI Neonatal.

Não podemos cuidar dos nossos bebês, não podemos trocar-lhes as fraldas, não podemos dar-lhes de mamar. Tudo o que queremos é passar noites em claro ninando os nossos rebentos. Invejamos as mães que não têm tempo para tomar um banho demorado ou comer direito. Aceitaríamos facilmente a dor de um bico de peito rachado para ter o nosso filho nos braços, com saúde, na segurança da nossa casa. Aprendemos a ler os monitores de uma UTI e os termos técnicos dos exames. Vigiamos as conversas pelos cantos entre médicas e enfermeiras, para ver se pescamos no ar alguma informação que não está sendo passada para nós. Nos tornamos neuróticas. A mãe de um bebê extremamente prematuro nem de longe se parece com uma leoa defendendo a sua cria. É muito pior. É um ser de uma força incompreensível pelos seres humanos. Talvez a Mulher Maravilha tenha sido mãe de um prematuro extremo. Talvez…

E quando esse bebê é arrancado de nós, nossa alma é levada com ele. O mundo desaba, o chão se abre como um buraco negro sob os pés e vemos todos os nossos sonhos se desmanchando bem na nossa frente. Nos tornamos eternamente órfãos. E não há palavra que console um coração destruído por essa dor. Tudo o que queremos é chorar até cair em um sono profundo que nos acorde do pesadelo.

Em meu livro, escrevi:

“Ouvimos as clássicas frases “vocês poderão tentar novamente”, “muitos casais passam por isso”, “Deus sabe o que faz”… Mas não havia nada que pudesse nos confortar naquele momento. Nessas horas, o melhor é dizer com um abraço, o não-dizer que significa muito mais. Algum dia, eu poderia querer tocar nesse assunto novamente. Não hoje.”

Sintam-se abraçados, Whindersson e Maria. É tudo o que posso dizer… 💔

Não quero essa pressa

Eu não quero essa pressa que aperta no peito…

Não quero a loucura de uma locomotiva descarrilhada descompensando as emoções…

Eu quero a calmaria para pensar,
Para respirar,
Para deixar fluir…

Aos que gostam da insanidade de uma humanidade em tons de cinza, deixo-lhes o mundo de concreto.

Pronto, é todo seu!

Eu prefiro ficar aqui, em companhia do verde, de bem-te-vis, livros e cães…

Já me bastam as dores desta vida, que me são impostas sem que eu as escolha.

Em meu mundo, à medida em que eu puder escolher, sempre haverá aves que lá não gorjeiam como cá…

Com prazer, me torno inexoravelmente prisioneira dos mandos e desmandos da mãe-natureza.

Longe do caos
Da tirania dos resultados
Dos prazos para ontem
Das buzinas e do cheiro de fuligem.

Já corri demais
Já chorei demais
Agora me permito nasceres e poentes indescritíveis todos os dias…

Porque a alma precisa de calma
Diariamente.

A gente não é tão forte quanto parece…

Há momentos na vida em que tudo o que a gente quer é voltar para o ventre da mãe e ficar lá, quietinho, esperando o furacão que se formou passar.

Às vezes a gente se vê tão vulnerável e tão impotente, que não sabe como (nem se), vai dar conta.

A gente fraqueja e se lembra que não é super-herói. O medo se instala e precisamos de ajuda, e nem sempre ela aparece, pelo menos não da forma como imaginamos.

Nos perdemos muitas vezes em nossas próprias convicções e já não sabemos se este é o nosso real.

A gente não é tão forte quando parece. A gente só finge muito bem.

Mas a gente não tem outra saída. De todas as possíveis opções, desistir não é uma delas.

E quando terminamos, nos deparamos com alguém mais forte que antes. Juntamos os cacos, fazemos os remendos e continuamos. E nos tornamos quem outrora nunca pensamos ser.

A gente é ostra. Só produz pérola ostra que sofre. 🍃

Espero que você me ouça, Mãe!

Mãe,

Sinto tanta falta do teu abraço, do teu encosto. Sinto falta de sentir o cheiro de bolo no forno, do beijo no rosto. Sinto falta da sua gargalhada escancarada, do seu andar corrido, do seu jeito de contar poesias…

Ah, Mãe! Poucos foram os anos que nos deram juntas, mas o que vivemos foi intenso, forte, marcante. Vejo tanto de você em mim… Muitas coisas eu tento não repetir, porque assim como você, eu me cobro demais. E não, Mãe, se cobrar tanto assim não faz muito bem. Sei que foi toda essa autocobrança que fez você conseguir nos colocar nos trilhos e endireitar nossas atitudes. Se hoje somos retos, dignos e amorosos, foi porque tivemos uma mãe que se exigiu demais, que cobrou de si mais do que suportaria. Éramos três! Hoje eu te entendo perfeitamente, Mãe! Se eu tento dar conta de apenas uma e quase enlouqueço, imagine você com três!

Sei que você deu o seu melhor, Mãe. E sei também que você queria ter feito mais. Olha, Mãe, talvez não tenhamos tido tempo suficiente, mas eu tenho tanto orgulho de você, mas tanto! Nesta folha de papel umedecida pelas lágrimas que escorrem do meu rosto, vou escrevendo e imaginando que de onde estiver, pode sentir tudo o que eu tento lhe dizer agora… Eu queria ter dito tudo antes de você partir. Mas eu não sabia que você não voltaria daquele hospital… Eu achei que você voltaria, Mãe! Eu só queria que soubesse que você foi a minha heroína. Você é a minha referência de mulher, de mãe que sempre lutou bravamente como um leoa pelos seus filhos. Você me ensinou os seus princípios, fez eu me apaixonar pela sua arte, pela natureza e pela forma como você enxergava o mundo.

Por Deus, Mãe! Como é que você dava conta? Nem você sabia como dava, aquela rotina louca e cronometrada, onde tudo tinha que se encaixar perfeitamente. Na maternidade a conta não fecha, tem sempre uma bagunça varrida para debaixo do tapete, um almoço com a sobra da janta de ontem, uma roupa que ficou para lavar. Mas éramos crianças, Mãe, e nós não víamos nada disso. O que víamos era uma casa impecável, uma comida diariamente deliciosa e roupas sempre cheirosas e bem passadas. Para nós, a única coisa que enxergávamos era uma mãe-mulher-maravilha, que além de manter uma casa e três filhos nos trilhos, participava ativamente da nossa vida escolar, tinha tempo de fazer a janta para o marido e ainda conseguia fazer as unhas e ir para a academia. Linda, amorosa e elegante!

Oh, Mãe… Quando penso nos sonhos que teve que abrir mão para viver integralmente para a família, quando penso no que você já aguentou, no mundo que transformou à sua volta, e ainda assim, tinha tanta ternura e delicadeza para amar… Não há como não pensar em algo sobrenatural! É humanamente impossível…

Nada nessa vida superará o seu olhar, a música preferida para eu chorar no seu ombro, o carinho por entre os cabelos, a espremida de mão na testa para conferir se a febre passou. Quando criança, ainda me lembro, eu encostava o rosto no seu colo e escutava o seu coração batendo. Não existia nenhuma música que me acalmasse mais do que aquele som. 

Mas, Mãe, hoje vim aqui para lhe falar o quanto eu queria você de volta. Quanto aperto tenho no peito. Olho para os meus irmãos e vejo você. Olho para a minha filha e vejo você. Nos pequeninos gestos, numa fala, num sorriso. No olhar doce, na voz firme, no abraço apertado… Ah, o abraço! Aquele colo… Nada mãe, nada que eu tente fazer, chega perto do que você era para mim. Nada vai preencher a falta que você me faz. E eu tento, Mãe, juro que tento, não deixar a dor da sua ausência ser para sempre…

Mais um Dia das Mães sem você. Só queria te ter um pouquinho aqui comigo. Sinto que tenho ir agora, Mãe, pegar a minha filha no colo. É lá onde você está.

Para viver algo novo

Já reparou que as pessoas que mais reclamam que nada acontece em suas vidas, são as que menos tentam fazer acontecer?

Pessoas assim acreditam que Deus fará um milagre sem que necessite de uma ação.

Milagres acontecem quando há movimento, quando saímos da inércia, quando mudamos de atitude.

Você quer emagrecer, mas continua no sedentarismo.

Você quer salvar o seu casamento, mas não melhora a forma como trata a esposa ou o marido.

Você está insatisfeito com o seu emprego, mas não vai em busca de outro.

É difícil? Sim, é muito difícil! Mas é difícil para todo mundo. Você não é único privilegiado com um monte de problema para resolver.

Encare a sua realidade e lute com os recursos que você tem! Pare de dizer “se eu tivesse mais dinheiro, se eu tivesse mais saúde, se a vida fosse mais fácil…”, porque essas condições nunca vão existir se você ficar de braços cruzados. É o bom e velho quem não tem cão, caça com gato, que aprendi com a minha mãe.

Arregace as mangas e faça, todo dia, incessantemente. Te garanto que é só uma questão de tempo para que o novo aconteça.

Aí sim, Deus colocará as pessoas certas e as oportunidades que você precisa para que os seus planos se tornem reais.

Fé é acreditar que Deus proverá o necessário. Mas Ele não fará isso se você não batalhar, se não colocar a mão na massa.

E se der errado? Mude a maneira de fazer, oras!

Mas faça algo novo!

O novo de Deus não está na mesmice. Quando você fizer algo que nunca fez, vai viver algo que nunca viveu.

Ousadia e coragem – duas palavrinhas mágicas para que você vença as suas limitações.

Aos olhos do homem comum você vai parecer um louco. Mas aos olhos de Deus, você é a Sua imagem e semelhança. Então acorde o leão que existe dentro de você e vá!

Conquiste o que é seu! Viva o surpreendente! E não aceite nada menos que isso.✨

Spoiler no Dia do Livro

Este não é um livro para ser rotulado. É um livro, apenas. Não quero que seja considerado autoajuda, pois não me julgo capaz desse tipo de escrita. Pode ser, se preferir, um livro de histórias. Histórias minhas, ao sabor do vento que me leva para as doces lembranças da mais tenra idade. Tantas histórias que tenho para contar, depois que já era “maiorzinha e vacinada”… Algumas tristes, mas recheadas de amor e valentia, de uma pequenina flor que tão cedo nos deixou. Histórias minhas com meus cães, de amigos com seus cães. Boas histórias. Histórias mais do que felizes, de uma menininha muito amada e especial, nascida para brilhar, que ainda terá muita história para contar.

Narrativas, poesias, cartas para cães e pessoas. E um tico de crônicas. Afinal, crônica e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

É um livro para ser saboreado, para ser lido e relido. Só compartilhar amor, fazer companhia nas tardes frias. Leia com calma, aprecie sem moderação. Viaje comigo. Chore e ria comigo. Se deixe levar. Tenha certeza de que aqui dentro, eu saberei. 📖❤️

Deus é bom!

Deus é bom. Independente do que você faça ou se você acredita Nele, Deus é bom. Ele não vai existir ou deixar de, porque você acredita ou não. Sua bondade, misericórdia e amor pela humanidade são maiores que qualquer pensamento seu.

E mesmo para aqueles que não acreditam, Ele é bom. Ainda que você não creia, se você é bom, Ele vai ser bom com você. Porque Ele é justo. A diferença é que se você acreditar, se você pedir a Sua orientação e a Sua proteção, você não terá a sensação de que está sozinho quando a maldade humana ameaçar te engolir. As dificuldades não são menores para quem anda com Ele, mas os temores sim.

O mundo é terra sombria e hostil, de homens imundos, que corrompem e se vendem. O pior do ser humano nos foi mostrado de camarote e em tela plana quando Jesus foi condenado injustamente e morto da forma mais dolorida e cruel do ponto de vista físico e psicológico. Ser crucificado, ter mãos e pés perfurados, sangrar e perder o fôlego de tanta dor, humilhado perante os Homens enquanto agonizava diante de sua própria mãe, acredite, é a pior forma de morrer.

Deus se doou por nós, pelo mundo, pela Humanidade. Ele já provou o Seu amor, Ele não precisa provar mais nada para ninguém. E porque Ele é perfeito, sempre será bom. Porque Ele é íntegro, honesto. E porque Ele colocou filhos no mundo – e não escravos – Ele deu o livre arbítrio. Você faz o que você quiser. Se você for bom, a bondade de Deus chegará em você – ainda que você não creia. Ele é justo e ponto.

E mesmo que você mate, estupre, tome o dinheiro do povo ou roube corpos de bebês, Ele continuará sendo bom. Não para você, claro, mas para todas as outras pessoas que diferentemente de você, são boas. Não será a sua maldade que mudará a essência de Deus.

O dinheiro que você aceitou para se corromper, é sujo. Nunca vai te fazer feliz. Esse dinheiro jamais comprará a sua paz. Como Judas Escariotes, você será consumido por um remorso perfurante, ainda que chegue aos 100 anos, velho e escurraçado pelos que em algum momento da vida demonstraram um sentimento de amizade e companheirismo. Você preferiu se remoer a pedir perdão, a voltar atrás e admitir o crime. E não é praga de mãe – bem que poderia ser e se fosse, pegaria – mas é a lei do Universo, deste imenso Universo que Ele criou. Tudo o que você faz ao outro, retorna para você (sejam coisas incríveis ou hediondas). É a lei de Deus. Infinitamente superior às leis dos Homens, que por falha e interesses escusos desses mesmos Homens, funciona para quem paga mais.

Somos seres humanos cheios de buracos e imperfeições, mas o nosso coração, esse Deus conhece de cor e salteado. A sua fé não precisa ser uma fé cristã para que Ele more dentro de você. Fé é ter esperança, é agradecer. É acreditar na vida. “Cristo é a lei inscrita no coração.”.

Para aqueles que possuem amor dentro de si, uma Páscoa abençoada!

Ela é dela. E de mais ninguém.

Ela vai querer as suas flores
Vai querer os seus bombons
Vai querer que você abra a porta do carro

Ela vai querer que a busque no trabalho
Vai querer que você a leve para conhecer seus pais
Vai querer andar de mãos dadas

Ela vai querer escrever seu nome na areia
Vai querer que você puxe a cadeira
Vai querer jantar à luz de velas

Ela vai fazer juras de amor
Vai querer deitar sob as estrelas
Ela vai querer que você seja
O amor da vida dela
O porto-seguro
O príncipe encantado

Por fim, ela vai querer lhe entregar o coração
Vai querer uma aliança no dedo
Para fazer planos sobre o futuro
Vai planejar quantos filhos terão
Se serão dois meninos e uma menina
E um cachorro para lhes esperar no portão

Mas atente-se

Não tente separá-la do que lhe faz bem
Não acredite que ela abrirá mão dos sonhos
Não pense que ela vá largar a família
Muito menos a profissão

Não tente fazer dela a sua vaidade
O brinquedinho do seu ego
Não aumente o tom de voz
Não a ameace
Não tente colocar suas amarras

Ela é gata escaldada
Já suportou muita dor
Já levou muitos tombos
Já superou muitos obstáculos
Ela dá conta de montar o próprio cavalo e matar o dragão

Não pense que ela vai jogar o seu jogo
É mulher feita
Desencasulou
Ela sabe o que quer
E o que não quer

Antes que ela queira ser sua,
Ela é dela. E de mais ninguém.

Vença o medo da opinião alheia!

Você já deve ter lido que a opinião dos outros é apenas a opinião dos outros. E é exatamente isso, sem mais nem menos. O que os outros pensam sobre você não te faz melhor nem pior. É apenas o que eles pensam sobre você, nada mais.

O que você é, em sua essência, só você e Deus sabem. As brigas internas que precisa enfrentar, as dúvidas, as dores. Os amores que constrói, os sonhos que realiza e aqueles que, por vezes, você precisa abrir mão pensando no bem dos que quer proteger.

Tudo isso – e mais um tanto – faz parte da sua história. É a obra da sua vida. E o que os outros pensam, é apenas o que os outros pensam. Se é certo ou errado, ninguém pode dizer, afinal, o conceito de certo e errado torna-se bastante relativo quando existe uma infinidade de modos de pensar.

Não defendo as pessoas que atropelam tudo e todos para fazer o que querem. Longe disso! Existe uma grande diferença entre ser verdadeiro consigo mesmo e ser desrespeitoso com o próximo para conseguir o que se quer. Prova disso é que pessoas verdadeiras com a própria vida são, invariavelmente, as mais honestas com os outros. E mesmo quando erram (todo mundo erra), ou quando percebem que determinada decisão irá afetar negativamente outro alguém, encaram de frente a situação e não hesitam em pedir perdão.

Pessoas que vivem suas verdades, conversam. Se expõem, colocam seus sentimentos e seus desejos para aqueles que as cercam. Nem sempre suas decisões e seus anseios serão aprovados por seus amigos, pais, filhos, irmãos, colegas de profissão. Mas quando se é verdadeiro consigo mesmo, cria-se respeito. Cria-se reciprocidade. E de forma recíproca, também ganha-se o apoio de quem se ama (por mais que as opiniões não sejam as mesmas). Porque a nossa verdade é o que dá o tom à nossa vida, pessoal e intransferível.

Existe um pensamento de Dalai Lama, que deveria se tornar um mantra em nossas mentes:

“Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro.”

Para quem gosta de destilar suas amargas críticas desconstrutivas sem ser chamado, sinto lhe dizer, mas, o problema é você. As suas opiniões não fazem diferença nenhuma para a felicidade e sucesso das outras pessoas. No entanto, quando você critica alguém, a energia negativa que emana faz total diferença na sua própria felicidade. Alimentar um pensamento ruim a respeito de quem quer que seja (pode ser uma pessoa conhecida ou até uma celebridade muito distante), seguramente afetará as suas emoções e com isso, você se enfraquecerá. Talvez você não esteja conseguindo viver aquela verdade que enxerga no outro. Talvez tudo o que você quer é se libertar do medo da opinião alheia. Talvez, você já tenha criado o hábito de criticar ao invés de admirar a coragem que o outro tem de viver a vida que ele escolheu.

De gente que aponta o dedo, que só fala dos defeitos dos outros, que sempre critica com ar de superioridade, tal como uma divindade onipotente, o mundo está cheio. Mas é de gente que admira, que apóia e respeita as decisões, que contribui para o crescimento do outro, que o mundo precisa.

Nessa nossa observância, não nos causa estranheza perceber que, pessoas que vivem sem pensar no que o outro vai pensar, não fazem um inferno na vida dos outros. Se não, vejamos: se eu não me importo com o que o outro vai pensar da minha vida, por que haveria de achar que a minha crítica vai fazer diferença na vida de alguém? Dessa forma, chegamos à conclusão de que, quem não se preocupa com a opinião alheia é mais livre, mais motivado e assim, mais feliz.

Pessoas que se preocupam com as críticas dos outros vivem no medo, pensam demais, e por isso, não agem. Estão sempre pensando: “e se fulano não aprovar?”. Pessoas assim vivem na inércia. E a inércia é inimiga da felicidade. O que te faz feliz está logo ali, depois da curva. Mas se você não seguir adiante, sem se preocupar com o que os outros vão pensar, nunca vai conquistar o que é seu. E para tudo, absolutamente tudo o que você decidir fazer, haverá alguém pronto para te criticar.

Quem vive sem se preocupar com a opinião dos outros, evolui. Quando se tateia demais, não se permite subir um degrau, tentar outros caminhos. O risco é necessário para a nossa evolução. E se arriscar é se permitir o erro. E se errar, tenta-se de outro jeito, com outra pessoa ou outra roupagem. O erro servirá de trampolim para que você se torne alguém mais forte, mais sábio e mais dono de si. Pois o erro, e as consequências dele, são seus. Apenas seus. E ninguém tem nada a ver com isso.

Assim como os erros e as escolhas são suas, a vida também é sua. Portanto, dê o seu melhor, realize o que te faz feliz e ponto! Como bem disse Clarice Lispector, “Não importa se você faz certo ou errado. As pessoas sempre vão encontrar um motivo para te criticar”.

Viva a sua vida. Viva a sua verdade. Ao invés de se ocupar em saber sobre a opinião alheia, seja alheio aos que te criticam. Porque no fim, quando estiver em seu derradeiro instante, vai olhar para trás e notar, com um leve sorriso no canto da boca, que viver fez todo sentido.

Um sonho de Dia da Mulher

Marcelo acordou animado. Finalmente conseguira a entrevista de emprego que tanto esperava. Estava marcada para às 10:00h, no centro da cidade.

Tomou seu café-da-manhã reforçado (afinal, a entrevista seria demorada), fez a barba e após o banho, procurou a sua melhor camisa, aquela de seda, que ele usa apenas em ocasiões especiais. A camisa estava um pouco amarrotada e ele ainda teve que passar. Sua esposa, que saíra cedo para o trabalho, nunca deixaria uma camisa passada no armário, afinal, isso não é serviço de mulher.

Marcelo então vestiu a roupa, arrumou o cabelo e quando foi conferir o look no espelho, percebeu que a camisa de seda, que há muito não usava, estava marcando os seus bíceps, deltóides e peitoral – ele tinha malhado demais nos últimos meses. Marcelo gostou bastante do que viu, mas pensou que, para uma entrevista de emprego, comparecer com aquela camisa destacando o seu físico poderia soar um tanto provocativo. Ele não queria ser contratado pelos seus “dotes” físicos. Queria aquela vaga porque tinha potencial intelectual para exercer o cargo pretendido. Ele acreditava no seu conhecimento, estava preparado para aquela função.

Abriu novamente o armário e jogou um blazer preto por cima, assim não correria o risco de errar. Foi quando olhou para o relógio e se espantou com a hora. Já eram quase 9h e a babá não tinha chegado. Ele precisava pegar o ônibus das 9:10h, caso contrário, chegaria atrasado na tão esperada entrevista. Seu filho Joaquim, de três anos, ainda não estava na escola e sempre que precisava sair por algumas horas, ele pedia a ajuda de uma babá conhecida da família. Como era um favor, Marcelo ficou sem jeito de ligar para perguntar se ela demoraria muito. Enquanto a babá não chegava, ele foi conferir se as mamadeiras do Joaquim estavam organizadas na geladeira e se o telefone do pediatra estava anotado no caderninho na cozinha, para o caso de alguma emergência.

Faltando cinco minutos para às 9h, a babá chegou. Marcelo fez um checklist de tudo o que ela precisaria para cuidar do Joaquim durante aquele período e foi no quarto dar um beijo no filho, que estava em sua soneca da manhã. Saiu de casa com o coração na mão, pois era a primeira vez que ele ficaria tanto tempo sem ver o seu bebê desde o seu nascimento. Foi o trato que ele e a mulher fizeram quando decidiram ter um filho. Ele pediria demissão do emprego para poder cuidar da criança, e ela continuaria trabalhando, pois o seu salário era maior (além disso, sua mulher nunca cogitou a hipótese de largar a carreira por causa de filho). E assim fizeram, durante 3 anos. Até que as contas ficaram cada vez mais altas (ingenuamente, não imaginaram que sustentar uma criança seria tão custoso). Então eles chegaram à conclusão que o Marcelo precisava trabalhar para aumentar a renda da família. E infelizmente, o que ele sabia fazer não dava para fazer de casa. Ele teria que trabalhar fora.

Para a sorte do Marcelo, ele não vive na época em que os homens precisavam de uma autorização das mulheres, por escrito, para trabalharem fora. Mas também, se ainda vivesse naqueles tempos, a sua não negaria, pois um salário a mais na família era questão de sobrevivência. O risco seria apenas dela mudar de idéia e revogar a autorização. Aí sim, o direito do Marcelo estaria em perigo. Mas não mais agora. Então ele suspirou aliviado.

Marcelo tinha que correr para pegar o ônibus das 9:10h. E correu. Entrou suado no ônibus, que estava com o ar-condicionado quebrado. O suor começou a escorrer pela testa e ele lembrou que a mulher havia ficado com o carro, que tinha ar-condicionado, para poder ir para o trabalho. Sonhou com o dia em que poderia comprar um carro com ar-condicionado só para ele. “Se Deus quiser, logo logo vou conseguir financiar um carrinho para mim”, pensou.

Mas o pensamento foi interrompido por uma sarrada de perna pelas costas. Ele nem quis olhar para trás para ver quem era. Não interessava. Só queria sair daquela situação constrangedora. Se ele falasse qualquer coisa, o(a) sarrador(a) poderia chamá-lo de maluco e dizer que ele só estava querendo chamar a atenção. Pensou em pedir para o motorista parar o ônibus e chamar a polícia, mas aí ele perderia o horário da tão esperada entrevista. Decidiu então mudar para outro canto do ônibus e continuar viagem, engolindo a revolta por ter sido molestado.

Marcelo desceu do ônibus e apressou o passo. A viagem demorou mais que o de costume, porque no meio do caminho um acidente envolvendo dois carros e uma moto fez o trânsito ficar bem mais lento. Então ele teria que ganhar tempo a pé, senão chegaria atrasado na tão esperada entrevista.

Chegou na empresa esbaforido, com o coração acelerado. Antes de se apresentar na recepção, passou rapidamente no banheiro. Fez xixi, limpou o suor do rosto, arrumou o cabelo e disse algumas palavras ensaiadas em frente ao espelho, tal como um ator que se inspira para entrar em cena.

Depois que se recompôs, Marcelo foi até a recepção e se anunciou. A recepcionista, muito gentil, o encaminhou até a sala de reunião aonde a responsável do RH faria a tão esperada entrevista. Foram vinte longos minutos de espera. Passava um filme na sua cabeça. Mal podia acreditar que após tantos anos ele voltaria a exercer a profissão que escolhera por amor e à qual dedicara tanto tempo de sua vida.

Foi quando a entrevistadora chegou. Ela pediu desculpas pela demora e começou a entrevista. Marcelo disse tudo o que estava ensaiado, respondeu às perguntas com a firmeza e convicção de quem domina o assunto. Ao levantar para se despedir, apertou as mãos da mulher e percebeu uma leve passada de olho de cima a baixo, como quem analisava outras qualidades que fogem da área técnica. Ele tentou não demonstrar constrangimento, mas no automático ajeitou o blazer tentando esconder alguma parte do seu corpo que pudesse ter gerado aquela reação por parte da entrevistadora. Ele tinha escolhido a roupa mais comportada possível, condizente com a ocasião. Não entendia porquê tinha que encarar com naturalidade aquele tipo de olhar em um ambiente profissional.

Marcelo mal teve tempo de pensar na sua atuação durante a entrevista. Olhou para o relógio e viu que já estava na hora do almoço do filho. Ele ligou para a babá e perguntou se ela tinha conseguido dar a comida para o Joaquim. Tirou um peso ao saber que estava tudo sob controle, mas ainda assim, voltou para a casa no primeiro ônibus que passou. Ainda teria muitas tarefas ao longo do dia.

Horas mais tarde, Marcelo recebeu uma importante ligação. Era o RH da empresa avisando que havia sido selecionado. Finalmente, tinha conseguido o tão sonhado emprego!

Ele não se preocupou como (e se) conseguiria sair do trabalho, pegar o Joaquim na escola, fazer a janta, dar banho e colocar o filho para dormir, colocar a roupa para lavar, terminar de ler aquele livro para a sua pesquisa, dar atenção para a esposa e deixar a bolsa da creche pronta para o dia seguinte. Ele não pensou se seria possível acordar uma hora e meia mais cedo para conseguir ir para a academia, já que esse seria o único horário que a esposa poderia olhar o filho.

Marcelo não hesitou. Reorganizou seus horários, passou a dormir menos três horas por dia, deixou para ler o livro dentro do ônibus a caminho da empresa. Combinou com um motorista de aplicativo para buscá-lo todos os dias, ao final do expediente, assim conseguiria chegar no horário da saída da creche do Joaquim. Aos sábados, pede para a sua mulher dar uma voltinha no parque com o filho para que ele possa fazer faxina, já que trabalhando fora a casa fica em petição de miséria durante a semana. Aos domingos, enquanto sua mulher vai para o futebol (estamos no século XXI e o futebol não é mais proibido para as mulheres), Marcelo passa as manhãs preparando a janta da semana inteira (e deixa tudo congelado em potinhos), além, claro, de preparar o almoço especial do próprio domingo.

Foi quando, após alguns anos nesse mesmo bate-estaca, Marcelo passou a apresentar dores sem nenhuma causa aparente, insônia, cansaço extremo, choros repentinos, fobias, gastrite nervosa, dificuldade de concentração. Típicos sintomas de ansiedade e depressão. Procurou ajuda médica. O psiquiatra disse que ele precisava dividir as tarefas com a sua mulher, pois era muita coisa para uma pessoa só. O especialista disse ainda que ele não precisava dar conta de tudo.

Marcelo voltou para casa angustiado. Estava chegando à conclusão de que havia falhado. Não queria admitir que não estava dando conta de tudo. Afinal de contas, ele foi criado para isso! A sociedade cobrava isso dele! Também não queria ter que abrir mão dos cuidados com o filho e da casa. Ele amava o filho, sabia exatamente o que o bebê precisava, e tinha medo que outra pessoa, mesmo que fosse a mãe, não soubesse o que fazer e como fazer. Ao mesmo tempo, não queria abrir mão do emprego que tanto amava. Ele se considerava uma pessoa privilegiada por trabalhar por prazer e não apenas pelo salário. Marcelo não queria ter que escolher!

Todo esse estresse e sentimentos contraditórios fizeram com que Marcelo quase desistisse do seu sonho, da sua profissão. A desistência de agora seria muito mais sofrida do que outrora, pois na primeira vez ele abriu mão por um motivo muito mais sublime: seu filho. Mas desta vez ele assinaria um atestado de incompetência. Estaria assumindo que não passava de uma fraude.

Não lhe restava outra opção a não ser compartilhar a dúvida com a sua mulher. Internamente, Marcelo acreditava que ela não aceitaria dividir com ele as tarefas da casa e os cuidados do filho, afinal de contas, foi a forma como ela havia sido criada e foi como eles viveram aqueles anos todos. Ele estava se preparando para tomar uma difícil decisão.

Contudo, Marcelo foi surpreendido quando, ao começar a falar sobre as suas questões para a esposa, ela olhou em seus olhos, se desculpou por não ter enxergado as suas necessidades e lhe disse que, a partir daquele dia, dividiria as tarefas da casa e as obrigações com o Joaquim. Ela continuou dizendo o quanto o amava e que nunca tinha o visto tão realizado em toda a sua vida, pois agora ele tinha tudo o que sempre sonhara: uma família e uma carreira, ao mesmo tempo.

Marcelo sorriu suave, sentiu os olhos marejarem e, com um abraço emocionado, agradeceu à sua mulher por ouví-lo e querer crescer ao seu lado.

De repente ele acordou daquele sonho, que talvez terminasse como um pesadelo. Ele pôde sentir a aflições, os medos e a tristeza da sua mulher. Mesmo que em sonho, ele esteve no lugar dela. E doeu.

Na tela do seu celular, estava a data: 8 de Março. Olhou para o lado e viu a esposa ainda dormindo. Lhe deu um beijo apaixonado, desprogramou o despertador e deixou um bilhete em cima do criado-mudo:

“Tome um banho demorado. O café está pronto. Deixei o seu mamão cortado na geladeira. Hoje eu levo o Joaquim para a creche. E o jantar é por minha conta. Te amo.

P.s.: Denuncie aquele seu supervisor. Ele nunca mais te olhará de cima a baixo.”.

Daquele dia em diante, a mulher do Marcelo não sofreu mais de ansiedade. Não mais se sentiu culpada. Não mais se viu sobrecarregada. Teve mais tempo para se cuidar, brincou mais com o filho, conseguiu ler todos os livros que quis, passou a revezar o carro, ensinou o marido a passar e a cozinhar. Não precisava mais ter que escolher entre a sua carreira e a sua família. Daquele dia em diante, passaram a viajar pelo menos uma vez por ano em lua-de-mel. Se sentiu mais amada, valorizada e respeitada. Como num passe de mágica, estava vivendo a vida pela qual sempre lutou.

E o dia 08 de Março está marcado na vida deles como o dia em que juntos, reforçam os Direitos das Mulheres.

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